Escotismo x Política – Por que não?

Tendo em vista as eleições que se aproximam e o dever cívico de votar, cumprindo com a nossa obrigação de cidadão, chegou também o momento de pesquisarmos a relação de nomes colocados à nossa disposição, para sufrágio.

Como sempre, procuramos achar o mais capacitado para nos representar e, não raro, escolhemos errado. Quando descobrimos o erro, às vezes, já é tarde e o erro, irreparável…

O Escotismo é um Movimento Educacional, sem vínculo político partidário, embora seus membros devam ser politizados, procurando dentro de seu entendimento, votar naqueles que melhor representarão os anseios de suas comunidades.

Várias entidades, representando as mais diversas áreas da sociedade, procuram eleger seus membros para que, desta forma, possam garantir e facilitar a realização de seus objetivos.   

Nós, do Movimento Escoteiro, temos uma dificuldade muito grande em lidar com esse assunto. Criamos um tabu em torno do tema, bloqueando o que poderia ser um investimento na área de apoio e cooperação.

Com isso, ficamos sempre a depender de políticos estranhos ao nosso meio, quase mendigando para conseguirmos obter algum apoio que, na realidade, nossas reivindicações nem são de cunho pessoal e sim, direcionadas para um trabalho destinado à própria comunidade.

Todas as organizações procuram ter seus representantes nas diversas esferas governamentais, garantindo assim, legítimos defensores de seus ideais, conhecedores das idéias e procedimentos que as suas organizações professam.

Tal fato não acontece com o Movimento Escoteiro brasileiro.

Em vários países, o Escotismo já é representado, defendendo posições coerentes com nossos princípios, cujos benefícios se estendem a toda população. Esses representantes também terão a missão de captarem meios e apoio necessário para facilitar a prática do Escotismo, procurando, como conseqüência, levá-lo a um maior número de jovens. São representantes Escotistas, eleitos pelo voto direto de suas associações.

Para tanto já existe uma organização mundial de Parlamentares que congregam todos os políticos que participam ativamente do Movimento Escoteiro, buscando, em reuniões periódicas, uma linha de ação neste sentido. No Brasil temos a UPE – União Parlamentar Escoteira – que procura expandir essa representatividade, porem esbarra no seu próprio meio associativo.

Por que não cerramos fileiras ao lado dos nossos políticos, elegendo nossos próprios representantes?

Alguém falou que feria a ética, que era aproveitar-se do Escotismo etc.

Se eleitos, quem vai aproveitar de quem? Eles do Escotismo ou o Escotismo deles? Parece que há uma inversão de intenções e atitudes…

Não procuramos eleger candidatos com princípios morais e éticos?

Estes valores são encontrados facilmente nos irmãos de Escotismo. Então, repetimos a pergunta: – Por que não votamos naqueles que já conhecemos?

Vamos procurar encontrar estes princípios em outros se já temos em nossa casa? Faz parte do ditado “Casa de ferreiro, espeto de pau!”?

Nossa organização não deveria alienar-se a esta realidade e deixar passar a oportunidade de elegermos representantes diretos do Movimento Escoteiro.

Com este objetivo sugerimos que, dentro do que foi exposto e segundo sua própria convicção política, sufrague nas próximas eleições, candidatos comprometidos com o Movimento Escoteiro e com os valores professados por todos os membros da nossa associação.

Estamos conscientes que esta atitude somente trará benefícios ao trabalho que realizamos, já há muito tempo, sempre nos queixando da falta de apoio das autoridades constituídas e da indiferença dos meios políticos. Acreditaremos na reversão desta situação, quando tivermos nossos próprios representantes, mas para tanto, teremos que primeiramente, elegê-los.  É um processo de médio e longo prazo, mas, quanto mais cedo iniciarmos, mais cedo teremos nossos próprios facilitadores.

Apenas propomos uma ação bastante simples: Se procuramos candidatos honestos e leais para votarmos, por que não votarmos em nossos irmãos que, com certeza, possuem essas qualidades?

E, notem: Nesta reflexão não mencionamos nomes ou partidos, assumindo uma postura condizente com nossos princípios de movimento apolítico e suprapartidário.

Também é importante salientar que não somos candidato e nem temos parentes na política. Queremos acima de tudo o bem do Movimento Escoteiro!

Artigo transcrito do livro Reflexões de um Velho Lobo

Elmer S. Pessoa – DCIM – 2010  -  55º MORVAN – Santos/SP

 

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